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quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Nutrição: Meu filho não come!

Recentemente, algumas mães me procuraram para falar do trabalho que estavam tendo na hora de alimentar seus filhos. Sei que muitas mamães passam por isso e acredito que deva ser muito angustiante ver o filho negar todo o tipo de comida. Eu tenho certeza que a primeira coisa que a maioria das mamães pensam é: “Meu filho não está comendo nada, vai perder peso e ficar doente...”. A angústia é perfeitamente compreensível, mas por medo disso realmente acontecer é que “pisamos na bola” e damos origem a um ciclo vicioso que é difícil de quebrar: só oferecer o que a criança aceita.

A falta de apetite (inapetência infantil) é comum na infância e pode estar ligada a vários fatores. Podemos dividir essa inapetência infantil de três formas:

Inapetência orgânica: Está mais relacionada a deficiência de micronutrientes, especialmente o ferro.


Inapetência fisiológica: Está mais relacionado com a velocidade de crescimento da criança. Entre 18 meses e 2 anos essa velocidade de crescimento cai, e com isso, o apetite da criança também pode diminuir. Mas, é preciso entender que esse é um processo fisiológico e que as crianças não comem as mesmas quantidades que os adultos. Por volta dos 6-7 anos o apetite melhora.

Inapetência comportamental: Esse tipo de inapetência tem origem na dinâmica familiar e sua base é psicogênica ou seja, a criança deixa de comer para chamar a atenção e observa que essa tática funciona.
A inapetência comportamental é a mais comum, e, por sua origem não ser alimentar, muita das vezes é necessário o auxílio de uma psicóloga.  Lembro que o importante é resolver o “problema” dos nossos pimpolhos, e, muitas vezes, para que isso aconteça, o trabalho multiprofissional é necessário, diria até que essencial.

Bem, e quais as dicas que eu posso dar para vocês? Vamos lá:

1-      Não substituir grandes refeições (Café da manhã, almoço e jantar) por lanches ou por mamadeiras, gogó e vitaminas.
2-    Não ofertar qualquer alimento entre uma refeição e outra. Ela não quer comer? Paciência! Explique para ela que ela só irá comer novamente na próxima refeição.
3-     Para as crianças que ingerem grandes quantidades de leite, deve-se diminuir o volume e a frequência, uma vez que líquidos suprem a sensação de fome.
4-    Criança acima de tudo é exemplo. Você não pode exigir que ela coma cenoura, pepino e outros alimentos, se você mesmo não o come.
5-     Na idade pré-escolar, as crianças estão descobrindo o mundo, e tudo ao redor se torna interessante e curioso e a criança não consegue se concentrar na comida. A criança precisa comer em um local calmo, longe de televisão e outros barulhos.
6-    Apesar de serem mais fáceis de ingerir, papinhas passadas no liquidificador não estimulam o bebê a mastigar e a reconhecer o sabor dos alimentos. Por consequência disso, ele acaba por não desenvolver seu paladar.
7-     Limite a ingestão de líquidos nas refeições. O estômago da criança é pequeno. Se ela toma muito liquido no início da refeição, sobrará pouco espaço para a comida.
8-    Tentar oferecer uma comida colorida e variada. Quanto mais atrativa a comida, maior será o desejo em prova-la. Quanto mais monótona, menor será o desejo de comer.
9-    Oferecer os alimentos em quantidades pequenas para encorajar a criança a comer. É comum as mães oferecerem mais comida do que a criança consegue assimilar, provavelmente, em virtude do fato de que é difícil para a mãe definir as reais necessidades de seu filho;
10    Esqueça artimanhas do tipo "se comer tudo, ganha um brinquedo", "se não comer, fica de castigo". Caso contrário ela vai supervalorizar o prêmio e odiar a comida, que a castiga. Seja honesto com seu filho.
11-  Não demonstrar irritação ou ansiedade no momento da recusa. A criança deve sentir-se confortável no momento da refeição;
12- Promessas do tipo "se você comer tudo, ganha chocolate" só servem para superestimar o doce e diminuir o valor da comida.
13- Seja firme no que você fala e tente não ceder às chantagens emocionais que os filhos são craques em fazer.

Ser mãe está bem longe de ser uma tarefa fácil. Mãe de verdade chora, fica angustiada e muitas vezes até desesperada. Mas, ser mãe também é isso. Mudar hábitos não é fácil, é um processo lento e gradativo. Contudo, tenho certeza que com amor, esforço e dedicação os objetivos podem ser alcançados.


Thayanara Gouveia
Nutricionista Clínica
CRN6-10.378

2 comentários:

  1. Thayanara, amei a postagem. Minha filha quer ser vegetariana aos 10 anos, eu também não sou fã de carnes. Posso marcar uma consulta para você elaborar um plano alimentar pra ela? Onde fica seu consultório?

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    1. Oi, Andréa. Que bom que gostou da postagem. A Thayanara é dez! Deixa seu email ou escreve para a gente (roteirobabymaceio@gmail.com) que ela entrará em contato contigo! Beijos

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